Domingo, Agosto 17, 2008

1ºas Jornadas transfonteiriças de bioconstrução e arquitectura tradicional em Trás os Montes

De 28 a 30 de Abril 2005, estivemos presentes nas “1as Jornadas transfonteiriças de bioconstrução e arquitectura tradicional em Trás os Montes”. Seminário organizado pela plataforma cultural transfronteiriça – Adidodec, Aldeia, Associartecine e Palombar – procurou fazer o encontro entre os arquitectos da cidade e da aldeia, entre a arquitectura da “escola” e a arquitectura popular, partilhando modos de fazer e experiências, dentro de um ambiente informal e de saudável convivência. Tendo como pano de fundo uma região de Portugal – Miranda do Douro – que ainda conserva alguns valores da ruralidade e da pacifica convivência do homem com a natureza, marcada pelo rio Douro, pelas suas escarpas que fazem fronteira com a vizinha Espanha e assinalam de uma forma indelével, a força da natureza numa zona do pais onde ainda é possível viver o ritmo da natureza no seu estado mais puro. A participação neste seminário vem mais uma vez acentuar a importância de repensar a forma como nos relacionamos com o ambiente natural, sabendo que a postura que escolhermos vai ditar o futuro que reservamos para os nossos filhos. A relação entre a construção tradicional e a construção ecológica é mui to próxima, ambas procuram as melhores soluções com o menor desperdício de materiais e energia. Neste capitulo são muitas as lições que ainda temos de reaprender com os nossos antepassados. Os antigos sistemas de construção utilizavam materiais de fontes renováveis e que provinham das proximidades do local de construção, as tecnologias aplicadas eram simples e eficazes, muito contextualizadas com a realidade e o clima local, premissas da chamada bioarquitectura, uma arquitectura mais “amiga” das pessoas e do ambiente que tem vindo a ganhar adeptos.Tendo como ponto de partida a divulgação, experiência prática e o debate, este seminário reuniu participantes e oradores, dos dois lados da fronteira, representando áreas aparentemente distintas como; arquitectos, antropólogos, biólogos, agrónomos, entre outros; o que possibilitou a discussão e a partilha, de conhecimentos e experiências extremamente interessante.Durante os três dias em que decorreu este seminário, pudemos observar diversas casas tradicionais, cuja forma e técnicas construtivas se adequavam perfeitamente ao meio em que se inserem; utilizando materiais da região e adoptando uma forma perfeitamente adequada á função que desempenham. Numa visita á casa da Sra. Avelina e do Sr. Vítor Rodrigues, – onde provamos uns fantásticos bolos tradicionais muito bem acompanhados pelo vinho da região -, percebe-se como todos os espaços da casa estavam perfeitamente dimensionados para as funções que desempenhavam. Estas casas destacam-se pelo pátio interior que é o seu epicentro. Os grandes portões voltados para a rua permitiam um fácil acesso aos carros de bois, carregados de feno e produtos agrícolas. Nestas casas o fim do dia era passado a organizar pelas diversas divisões tudo o que chegava pela porta principal sendo o pátio o local que distribuía as funções pelo resto da casa. A casa tinha dois pisos, o rés-do-chão era onde se localizava a cozinha, as divisões afectas ás alfaias agrícolas, os locais de armazenamento e espaços para os animais. Ao nível do primeiro piso localizavam-se os quartos, sempre pontuados com uma varanda voltada para o pátio interior. Este conjunto resultava em edifícios com uma área coberta considerável.Estas construções de carácter rural são constituídas por largas paredes de pedra granítica da região, aparelhadas segundo técnicas ancestrais. Numa demonstração feita por Eduardo Paulo, um antigo pedreiro, foi possível entender como se escolhem e colocam as pedras na construção de uma parede – o principal segredo deste tipo de construção -. As pedras são ligadas com argamassas naturais, – uma mistura de terra e palha -, formando muros de grande solidez.Numa outra visita tivemos a oportunidade de observar um forno de telhas, recentemente recuperado, onde o Sr José Xisto trabalhou muitos anos. Com recurso a três instrumentos rudimentares ele conformava uma telha de cerâmica, que depois era colocada ao alto, no interior do forno. O forno é uma construção em pedra com um formato quase cubico, mas cujo topo está aberto, por baixo existe um espaço onde se coloca a lenha, e acende a fogueira. Quando o forno ficava cheio de telhas, era coberto e acendia-se a fogueira, que tinha de ser mantida por cerca de dois dias. Estas telhas de cerâmica produzidas manualmente tem uma resistência superior ás fabricadas actualmente com recurso ás novas tecnologias.
Para quem quiser visitar aqui fica o roteiro  – Cidade de Miranda do Douro – Aldeias de:
Freixiosa – Atenor – Castelo de Algoso – Sendim – Ifanes – Minas de Sto. Adrião – Barrocal.


Princípios fundamentais da Bioconstrução
- Os edifícios para habitação deverão ser construídos em zonas, não poluídas por industrias ou tráfego viário.
-  Devem ter como vizinhança amplas zonas verdes.
- Os materiais de construção terão que ser naturais e não tóxicos, deverão também ser escolhidos de forma a terem um longo tempo de vida e baixa manutenção. Durante a sua manufactura deverão provocar o mínimo de impactos negativos sobre o ambiente, nem devem explorar recursos limitados ou em perigo de extinção.
- Os edifícios deverão ser construídos de forma a captarem a energia solar de forma eficaz e na medida correcta, deverão também possuir inércia térmica de forma a minimizarem o uso de sistemas de climatização artificial.
- A ventilação é fundamental para a qualidade do ar interior.
- A iluminação natural deve ser uma das prioridades do desenho do edifício.
- Deverão neutralizar-se os ruídos e campos magnéticos artificiais.
- A água é um recurso vital e escasso, deverá ser uma das preocupações do projecto e da manutenção dos edifícios.

Publicado por Francisco Saraiva em 19:44:31 | Permalink | Sem Comentários »

E porque não em terra?

A construção em terra utilizada desde sempre pelas sociedades humanas começa finalmente a ressurgir no mundo ocidental.
A construção em terra é utilizada em todo o planeta e pelas mais diversas civilizações humanas.
As propriedades únicas deste material e a sua disponibilidade gratuita permite essa grande disseminação. Quando falamos deste tema, relacionamos directamente este material com a pobreza, países do terceiro mundo e condições insalubres de vida das populações. Isto porque a sociedade ocidental se habituou a ver a terra como um elemento sujo e com bactérias. O grande desenvolvimento tecnológico, económico e social ocorrido nos dois últimos séculos fez com que se esquecessem técnicas tradicionais com milhares de anos de história, provadas pela sua eficiência e economia. Felizmente que a construção em terra crua tem vindo a ser “repescada” por alguns técnicos, por se tratar de uma solução ecologicamente mais correcta,
do que as técnicas que usamos actualmente.
A grave situação ambiental que vivemos na actualidade obriga á procura de novas soluções que permitam manter os padrões de qualidade de vida a que estamos habituados, mas que permitam que também os nossos filhos venham a ter pelos menos essa qualidade de vida.É bom que fique claro que essa possibilidade está longe de estar garantida. Um estudo recente de uma universidade Inglesa mostrou que com uma perspectiva optimista da subida da temperatura -provocada pelo efeito de estufa -, até 2050, cerca de 1/4 de todas as espécies animais e vegetais se iriam extinguir. Como sabemos das aulas do ciclo preparatório
nesta grande nave espacial que é o planeta Terra existem ciclos biológicos que dependem de uma interacção sequenciada de diversos seres, quando alguns dos elos desaparecem começam os desequilíbrios. Como a sobrevivência humana depende de recursos oferecidos pelo planeta, como o ar a água e os alimentos, era talvez altura de todos nós reflectirmos naquilo em que podemos contribuir para melhorar o estado da situação.Não defendo utopias de retorno ás cavernas, ou a pseudo-aldeias ecológicas, mas acredito no desenvolvimento de uma nova consciência colectiva, que procure minimizar ao máximo os impactos negativos da presença humana na biosfera.
Historicamente falando a terra era já utilizada no antigo Egipto, onde praticamente toda a  construção civil era feita de –adobe – tijolos de terra cozidos ao sol, apenas os edifícios mais importantes eram construídos em pedra. Cerca de 20% da muralha da China é construída em terra, e no Médio Oriente e frica continua a ser um sistema muito utilizado.
No nosso país existem também inúmeros exemplares, que chegam até hoje, testemunhandofacto de que é possível construir edifícios de terra com grande durabilidade.Hoje começamos a reaprender a utilizar este material fantástico, pela mão de diversas pessoas interessadas no tema e que tem vindo a pesquisar as vantagens da utilização da terra paraconstrução. Um dos principais argumentos para a adopção deste material é a sua baixa energia incorporada, ou seja os baixos níveis de energia despendida para manufacturar e transportar material, uma vez que a produção pode ser descentralizada usando sistemas de baix
tecnologia. Além disso a sua extracção praticamente não provoca danos ambientais, porque terra que precisamos de extrair situa-se por debaixo das camadas de terra vegetal. Essa terra depois misturada com pequenas quantidades de cimento ou outros ligantes que lhe dão um grande estabilidade e resistência ás condições atmosféricas. A utilização na construção trás
também inúmeras vantagens, como por exemplo a inércia térmica, ou seja a capacidade de absorver o calor, mantendo uma temperatura uniforme ao longo do dia , permitindo soluções bioclimáticas compatíveis com o nosso clima, tornando as nossas casas mais confortáveis.
portanto um material que além de vantajoso sob o ponto de vista ambiental, é também interessante na performance e no preço. Existem diversos sistemas construtivos associadoseste material, como por exemplo o adobe – tijolo de terra – a taipa – ripas de madeira preenchidas com argamassas naturais – entre outros, cobrindo uma grande variedade de utilizações. Só não é mais utilizado porque não tem sido divulgado e na sua preparação aplicação, não promove grandes explorações económicas, e como tal não tem grupos de interesse com capacidade para promoverem e divulgarem este sistema construtivo. Esperemos que pouco a pouco este cenário seja alterado para o bem de todos nós.

Na internet
www.Centrodaterra.pt
Francisco Saraiva arq. www.neourb.com

Publicado por Francisco Saraiva em 19:38:04 | Permalink | Sem Comentários »

Energia solar em sua casa

Com o lançamento da campanha agua quente solar, torna-se mais uma vez notória a importância das energias renováveis no nosso dia a dia. Com vista a cumprir as metas estabelecidas no protocolo de Kioto (*) em relação ás emissões de poluentes para a atmosfera, foi recentemente lançada a campanha agua quente solar para Portugal. Esta campanha destina-se a incentivar o uso de painéis solares activos, que são uma das formas mais económicas de aproveitamento da energia solar. Esta tecnologia é já bastante conhecida em Portugal, quase todos os painéis solares que vemos instalados em habitações são deste tipo. Foi uma tecnologia bastante aplicada, mas que foi perdendo força porque muitas vezes as instalações eram mal concebidas, e o sistema não funcionava correctamente. Actualmente tenta-se mudar este cenário através da formação especializada dos instaladores, certificação do material e das empresas.
Este processo de credibilização da tecnologia solar é acompanhado por uma obrigatoriedade de garantia do equipamento e da instalação de pelo menos 6 anos, permitindo a amortização dos custos da instalação. Estes são aliás o principal obstáculo para a implantação no mercado  desta tecnologia, uma vez que obrigam a um investimento inicial superior a outros sistemas. Nesse sentido estão a ser promovidos benefícios fiscais para quem implemente este tipo de  soluções, que podem chegar aos 30 % até ao máximo de 700 €, permitindo um prazo de amortização inferior. Ainda neste capitulo temos indicação de que estará a ser estudada a possibilidade de financiamentos específicos para estas instalações.
Este programa reveste-se da maior importância para o nosso pais, em primeiro lugar porque permite a redução da nossa dependência externa de energia, por outro lado promove a qualidade de vida, permitindo uma redução de muitas toneladas de CO2 na nossa atmosfera. Para o utilizador final é também vantajoso porque lhe permite reduzir os custos associados ao aquecimento de aguas sanitárias, que corresponde, a uma fatia considerável nos custos energéticos de um edifício. Portugal é um pais privilegiado em relação á disponibilidade de radiação solar, e no entanto a taxa de penetração deste tipo de energias renováveis é bastante baixa quando comparada com outros países com disponibilidades solares muito inferiores.Por exemplo em Portugal de 1975 ate 1999 foram instalados cerca de 219.000 m2 de painéis, no mesmo tempo na Alemanha foram instalados 2.290.000 m2.Existem variados sistemas solares activos, sendo cada um deles mais adaptado a cada situação particular, uma vez que tem rendimentos diferentes.Os painéis mais comuns para habitação são planos com ou sem cobertura, mais recentemente tem
sido promovido o sistema CPC Šconcentrador parabólico Š que concentra a energia nos tubos onde passa o liquido, aumentando o rendimento do painel. O aproveitamento para um sistema bem dimensionado em Portugal fornecerá cerca de 60% 70% das necessidades energéticas anuais de aquecimento de água. O sistema deverá contar com um deposito de forma a manter a temperatura da agua, devido ao desfasamento da hora do aquecimento e de consumo. Deverá  também estar munido de um sistema de apoio energético pois, em determinadas alturas do ano, a radiação disponível não  é suficiente para suprir as necessidades energéticas de aquecimento. Poderá ser um termoacumulador eléctrico ou um esquentador, desde que compatível com o sistema solar.

contactos
www.aguaquentesolar.com Sitio da campanha
www.spes.pt Sociedade Portuguesa de energia solar
www.energiasrenovaveis.com Portal de energias renováveis
(*)O protocolo de Kioto foi assinado pelo nosso país e é um instrumento legal que estabelece os 
limites  de poluentes  libertados por cada pais para a atmosfera.
Francisco Saraiva arq.
www.neourb.com

Publicado por Francisco Saraiva em 19:34:09 | Permalink | Sem Comentários »