Domingo, Agosto 17, 2008

E porque não em terra?

A construção em terra utilizada desde sempre pelas sociedades humanas começa finalmente a ressurgir no mundo ocidental.
A construção em terra é utilizada em todo o planeta e pelas mais diversas civilizações humanas.
As propriedades únicas deste material e a sua disponibilidade gratuita permite essa grande disseminação. Quando falamos deste tema, relacionamos directamente este material com a pobreza, países do terceiro mundo e condições insalubres de vida das populações. Isto porque a sociedade ocidental se habituou a ver a terra como um elemento sujo e com bactérias. O grande desenvolvimento tecnológico, económico e social ocorrido nos dois últimos séculos fez com que se esquecessem técnicas tradicionais com milhares de anos de história, provadas pela sua eficiência e economia. Felizmente que a construção em terra crua tem vindo a ser “repescada” por alguns técnicos, por se tratar de uma solução ecologicamente mais correcta,
do que as técnicas que usamos actualmente.
A grave situação ambiental que vivemos na actualidade obriga á procura de novas soluções que permitam manter os padrões de qualidade de vida a que estamos habituados, mas que permitam que também os nossos filhos venham a ter pelos menos essa qualidade de vida.É bom que fique claro que essa possibilidade está longe de estar garantida. Um estudo recente de uma universidade Inglesa mostrou que com uma perspectiva optimista da subida da temperatura -provocada pelo efeito de estufa -, até 2050, cerca de 1/4 de todas as espécies animais e vegetais se iriam extinguir. Como sabemos das aulas do ciclo preparatório
nesta grande nave espacial que é o planeta Terra existem ciclos biológicos que dependem de uma interacção sequenciada de diversos seres, quando alguns dos elos desaparecem começam os desequilíbrios. Como a sobrevivência humana depende de recursos oferecidos pelo planeta, como o ar a água e os alimentos, era talvez altura de todos nós reflectirmos naquilo em que podemos contribuir para melhorar o estado da situação.Não defendo utopias de retorno ás cavernas, ou a pseudo-aldeias ecológicas, mas acredito no desenvolvimento de uma nova consciência colectiva, que procure minimizar ao máximo os impactos negativos da presença humana na biosfera.
Historicamente falando a terra era já utilizada no antigo Egipto, onde praticamente toda a  construção civil era feita de –adobe – tijolos de terra cozidos ao sol, apenas os edifícios mais importantes eram construídos em pedra. Cerca de 20% da muralha da China é construída em terra, e no Médio Oriente e frica continua a ser um sistema muito utilizado.
No nosso país existem também inúmeros exemplares, que chegam até hoje, testemunhandofacto de que é possível construir edifícios de terra com grande durabilidade.Hoje começamos a reaprender a utilizar este material fantástico, pela mão de diversas pessoas interessadas no tema e que tem vindo a pesquisar as vantagens da utilização da terra paraconstrução. Um dos principais argumentos para a adopção deste material é a sua baixa energia incorporada, ou seja os baixos níveis de energia despendida para manufacturar e transportar material, uma vez que a produção pode ser descentralizada usando sistemas de baix
tecnologia. Além disso a sua extracção praticamente não provoca danos ambientais, porque terra que precisamos de extrair situa-se por debaixo das camadas de terra vegetal. Essa terra depois misturada com pequenas quantidades de cimento ou outros ligantes que lhe dão um grande estabilidade e resistência ás condições atmosféricas. A utilização na construção trás
também inúmeras vantagens, como por exemplo a inércia térmica, ou seja a capacidade de absorver o calor, mantendo uma temperatura uniforme ao longo do dia , permitindo soluções bioclimáticas compatíveis com o nosso clima, tornando as nossas casas mais confortáveis.
portanto um material que além de vantajoso sob o ponto de vista ambiental, é também interessante na performance e no preço. Existem diversos sistemas construtivos associadoseste material, como por exemplo o adobe – tijolo de terra – a taipa – ripas de madeira preenchidas com argamassas naturais – entre outros, cobrindo uma grande variedade de utilizações. Só não é mais utilizado porque não tem sido divulgado e na sua preparação aplicação, não promove grandes explorações económicas, e como tal não tem grupos de interesse com capacidade para promoverem e divulgarem este sistema construtivo. Esperemos que pouco a pouco este cenário seja alterado para o bem de todos nós.

Na internet
www.Centrodaterra.pt
Francisco Saraiva arq. www.neourb.com

Publicado por Francisco Saraiva em 19:38:04 | Permalink | Sem Comentários »

Energia solar em sua casa

Com o lançamento da campanha agua quente solar, torna-se mais uma vez notória a importância das energias renováveis no nosso dia a dia. Com vista a cumprir as metas estabelecidas no protocolo de Kioto (*) em relação ás emissões de poluentes para a atmosfera, foi recentemente lançada a campanha agua quente solar para Portugal. Esta campanha destina-se a incentivar o uso de painéis solares activos, que são uma das formas mais económicas de aproveitamento da energia solar. Esta tecnologia é já bastante conhecida em Portugal, quase todos os painéis solares que vemos instalados em habitações são deste tipo. Foi uma tecnologia bastante aplicada, mas que foi perdendo força porque muitas vezes as instalações eram mal concebidas, e o sistema não funcionava correctamente. Actualmente tenta-se mudar este cenário através da formação especializada dos instaladores, certificação do material e das empresas.
Este processo de credibilização da tecnologia solar é acompanhado por uma obrigatoriedade de garantia do equipamento e da instalação de pelo menos 6 anos, permitindo a amortização dos custos da instalação. Estes são aliás o principal obstáculo para a implantação no mercado  desta tecnologia, uma vez que obrigam a um investimento inicial superior a outros sistemas. Nesse sentido estão a ser promovidos benefícios fiscais para quem implemente este tipo de  soluções, que podem chegar aos 30 % até ao máximo de 700 €, permitindo um prazo de amortização inferior. Ainda neste capitulo temos indicação de que estará a ser estudada a possibilidade de financiamentos específicos para estas instalações.
Este programa reveste-se da maior importância para o nosso pais, em primeiro lugar porque permite a redução da nossa dependência externa de energia, por outro lado promove a qualidade de vida, permitindo uma redução de muitas toneladas de CO2 na nossa atmosfera. Para o utilizador final é também vantajoso porque lhe permite reduzir os custos associados ao aquecimento de aguas sanitárias, que corresponde, a uma fatia considerável nos custos energéticos de um edifício. Portugal é um pais privilegiado em relação á disponibilidade de radiação solar, e no entanto a taxa de penetração deste tipo de energias renováveis é bastante baixa quando comparada com outros países com disponibilidades solares muito inferiores.Por exemplo em Portugal de 1975 ate 1999 foram instalados cerca de 219.000 m2 de painéis, no mesmo tempo na Alemanha foram instalados 2.290.000 m2.Existem variados sistemas solares activos, sendo cada um deles mais adaptado a cada situação particular, uma vez que tem rendimentos diferentes.Os painéis mais comuns para habitação são planos com ou sem cobertura, mais recentemente tem
sido promovido o sistema CPC Šconcentrador parabólico Š que concentra a energia nos tubos onde passa o liquido, aumentando o rendimento do painel. O aproveitamento para um sistema bem dimensionado em Portugal fornecerá cerca de 60% 70% das necessidades energéticas anuais de aquecimento de água. O sistema deverá contar com um deposito de forma a manter a temperatura da agua, devido ao desfasamento da hora do aquecimento e de consumo. Deverá  também estar munido de um sistema de apoio energético pois, em determinadas alturas do ano, a radiação disponível não  é suficiente para suprir as necessidades energéticas de aquecimento. Poderá ser um termoacumulador eléctrico ou um esquentador, desde que compatível com o sistema solar.

contactos
www.aguaquentesolar.com Sitio da campanha
www.spes.pt Sociedade Portuguesa de energia solar
www.energiasrenovaveis.com Portal de energias renováveis
(*)O protocolo de Kioto foi assinado pelo nosso país e é um instrumento legal que estabelece os 
limites  de poluentes  libertados por cada pais para a atmosfera.
Francisco Saraiva arq.
www.neourb.com

Publicado por Francisco Saraiva em 19:34:09 | Permalink | Sem Comentários »

Arquitectura sustentável

republicação de texto de 2005

A arquitectura dita sustentável tem como objectivo maximizar o conforto humano minimizando o impacto ambiental.
Numa sociedade desenvolvida uma pessoa despende  cerca de 70% do tempo no interior de edifícios, que necessitam de ser iluminados, aquecidos e arrefecidos para o conforto dos seus utilizadores. Para este efeito geralmente são utilizados dispositivos eléctricos,  que consomem energia proveniente em 80% da combustão de derivados do petróleo. Assim embora não seja visível, os edifícios são responsáveis, por uma grande quantidade de emissões de CO2. Existem diversas formas de tornar mais eficiente sob o ponto de vista energético um edifício, e como tal reduzir os custos associados á manutenção, que por vezes chegam a ser 10 vezes o custo de construção. O correcto isolamento térmico dos edifícios é fundamental pois aquecer uma casa sem isolamento é como tentar encher de água um balde furado, a energia despendida para aquecer, vai ser perdida através das paredes e vidros para a atmosfera dessa forma a utilização de vidros duplos, e isolamento térmico, quando bem aplicados são medidas que promovem a qualidade de vida assim como reduzem os custos energéticos.  Em climas mediterrâneos com é o nosso em que temos uma grande disponibi lidade de radiação solar, é importante incorporar sistemas que tiram partido dessa enorme fonte de energia que é o sol. A forma mais básica de aproveitar a energia solar é a implantação do edifício, se este aspecto for cuidado na fase projectual é possível prever a radiação que ira incidir em cada uma das fachadas, podendo dessa forma localizar as divisões da casa cujas necessidades térmicas se adcuem. Dessa forma é também possível prever a frequência e dimensão dos vãos, e formas de os proteger através da plantação de arvores de folha caduca, construção de palas de ensombramento, ou estores exteriores.
As aberturas voltadas para sul permitem que a radiação solar entre profundamente na casa durante o Inverno aquecendo-a  – o sol tem uma inclinação inferior   No Verão o azimute solar aproxima-se do zénite permitindo que as palas de sombreamento possam afastar o calor do interior.
Dentro destas técnicas de aproveitamento solar passivo ainda se pode mencionar a parede de trombe, uma parede pintada de uma cor escura, com um vidro no exterior como se fosse uma comum janela. O efeito produzido é equivalente a um radiador depois de exposta ao sol, o calor vai penetrando na espessura da parede, libertando-o no interior da casa horas depois. Além destes exemplos enunciados existem também sistemas comercializados de aquecimento de água que recorrem á instalação de painéis na cobertura do edifício, que por meio de um circuito fechado de um liquido anticongelante, permitem transformar a radiação solar em calor. Como sistemas activos temos os painéis fotovoltaicos que produzem energia eléctrica, são ainda pouco utilizados por questões económicas, mas tem-se revelado muito interessantes, em locais onde a rede eléctrica ainda não chega.
Gostaríamos assim de chamar atenção para o potencial da energia solar uma vez que se calcula que a cada 8 dias recebemos do sol a energia equivalente a todas as reservas de energias fosseis presentes no nosso planeta, factos como este obrigam a que os técnicos ligados ao sector da construção passem a ter uma nova consciência do impacto que provocam com pequenas opções de projecto.  Mas o tema da arquitectura sustentável não se esgota com a procura de soluções de poupança de energia, existem muitas outras situações em que é possível optimizar, como por exemplo a toxicidade dos materiais, a poupança de água, a utilização de plantas autóctones, a energia incorporada, e o uso de materiais reciclados ou recicláveis, temas que desenvolveremos em futuras edições.

Publicado por Francisco Saraiva em 19:31:40 | Permalink | Sem Comentários »