O sindroma dos edificios doentes
Como a qualidade do ar que respiramos, no interior dos edifícios, afecta o bem-estar e a produtividade no nosso dia a dia de uma forma invisível.Polémicas recentes, vieram, mais uma vez alertar-nos para o grave problema da qualidade do ar, no interior dos edifícios. A permanência a que estamos votados no interior dos edifícios (principalmente no sector dos serviços) por períodos, nunca inferiores a 7 horas diárias, faz com que se inalem grandes quantidades de substâncias nocivas, químicas e biológicas, com as mais variadas origens. Essas substâncias são responsáveis por alergias e doenças com diversos graus de gravidade, desde o simples desconforto, provocado por uma ligeira irritação dos olhos ou das narinas, a perturbações mais graves, como a contaminação pela bactéria: Legionella pneumophila, que pode ser mortal. O conceito de “edifício doente” surgiu após a crise energética no início dos anos 70. Como forma de manter a temperatura climatizada no interior de um edifício, reduzindo os custos; optou-se pela redução dos fluxos de admissão de ar fresco. Essa re-circulação do ar demonstrou provocar um certo “mal estar” aos funcionários. Estando o ar já viciado; tanto pela respiração dos ocupantes, (o ser humano liberta naturalmente dióxido de carbono), como pelo fumo do tabaco, totalizam-se cerca de 4000 compostos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde os sintomas provocados pelo síndroma do “edifício doente” nos seus ocupantes são: irritação, secura e prurido nos olhos; dores de cabeça e tonturas; irritação, prurido e eritemas na pele; garganta seca, rouquidão e tosse.
Geralmente estes sintomas, têm tendência a manifestar-se, durante o dia, sendo minimizados ao final do dia, ou ao fim-de-semana.As construções recentes, são bastante isoladas face ao exterior, e recorre-se frequentemente a sistemas de ar condicionado, para a climatização e ventilação do ambiente interior, para que se mantenha a mesma temperatura durante todo o ano.
Esses sistemas, projectados tendo em vista o conforto dos ocupantes de um edifício, são muitas vezes responsáveis pela própria contaminação do ar, bastando para isso um mau planeamento do sistema, ou falhas na sua manutenção.Os filtros e condutas “estudados” para impedir a entrada de insectos e poeiras para o interior, começam por possuir as condições de temperatura e humidade ideal para a proliferação de bactérias e fungos, caso não sejam frequentemente limpos ou substituídos.Embora a ventilação inadequada seja a grande responsável pela má qualidade do ar que circula no interior, existem também outros tipos de poluentes nos diversos materiais que compõem o interior do próprio edifício. Nos ltimos anos, foram executadas operações extremamente delicadas em vários edifícios, com a intenção de reti rar antigos revestimentos compostos por amianto, substância conhecida por ser altamente cancerígena.
As alcatifas, já conhecidas por serem um foco de propagação de ácaros (responsáveis pelas alergias), demonstraram também agora a sua capacidade em absorver os agentes tóxicos dos produtos de limpeza, libertando-os depois, durante meses.
As fotocopiadoras e impressoras com sistema “laser”, são um outro elemento de poluição invisível. Libertam ozono, em quantidades, (em milhares de vezes) superiores, ás libertadas pelos automóveis.
Colas, pinturas frescas, produtos de madeira prensada, são também, geradores de gases e vapores que penetram facilmente nos nossos pulmões.
Segundo alguns especialistas, a melhor forma de resolver estes problemas passa, por ventilar frequentemente estes espaços, “diluindo” assim, as substâncias nocivas.O alerta mais pertinente, vai no sentido da necessidade de consciencializar as pessoas,
para o seu desconhecimento sobre as verdadeiras fontes de poluição, associadas a este síndroma. Muitas vezes a razão vai contra a nossa intuição ou senso comum.
Francisco Saraiva arq.
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