Água nos edificios
O documento que publicamos seguidamente no blog, é um artigo escrito especialmente para a revista do Parque Biológico de Gaia, que foi publicado á quase dois anos.
Pela sua actualidade decidimos voltar a divulgar este texto que explica a importância dos nossos pequenos actos do quotidiano, na qualidade de vida dos nossos descendentes…
A Água nos edifícios
“A falta de acesso à água provoca enormes dificuldades a mais de mil milhões de membros da família humana”. São palavras de Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU. Se o actual consumo se mantiver, em 2025, duas em cada três pessoas irão ser vítimas da falta de água.
O aumento exponencial da população mundial, o aquecimento global e a poluição são dos mais graves problemas que a civilização humana já enfrentou. Estas questões cruzam-se no tema da água, que como sabemos é indispensável à vida, e cuja distribuição está longe de ser igualitária. Especialistas militares já falam que as guerras do futuro se centrarão em volta do controle sobre as reservas de água. Afirmações como esta poderão até parecer estranhas, mas se tomarmos consciência de que uma descarga de autoclismo num país ocidental equivale a toda a água disponível durante um dia para a higiene e restantes actividades de um habitante de um pais subdesenvolvido, começa a fazer algum sentido. Todos sabemos o impacto que tem em nossas casas quando ao abrir uma torneira só ouvimos soluços, e vale a pena pensar o que aconteceria caso esses soluços fossem permanentes
Segundo um estudo apresentado por diversas entidades, no dia Mundial da Desertificação
“dois terços do Território Nacional tem um risco moderado de se transformar numa espécie de deserto”. As razoes que levam a esta situação são inúmeras destacando-se a não retenção das águas da chuva pelos solos empobrecidos, e progressivo abandono da agricultura provocado pelo despovoamento do interior do País. Se a isto associarmos os efeitos da poluição nos aquíferos, destruindo ecossistemas responsáveis pela regeneração da água, deparamo-nos com um cenário muito preocupante. É por isso altura para pôr em prática medidas que permitam uma gestão mais equilibrada destes recursos permitindo uma maior equidade na sua distribuição e deixando para as gerações futuras uma situação se não melhor pelos menos igual à que encontramos quando viemos ao mundo. É bom que se entenda que todos nós temos responsabilidades e seja qual for a área profissional, podemos melhorar a situação geral actuando localmente, nas nossas casas no nossos empregos, e porque não também nas nossas cidades. Devemos adoptar medidas que promovam a sustentabilidade no nosso dia a dia e exigir ao governo a sua cota de responsabilidade. Depois desta breve introdução ao tema apresentamos um conjunto de atitudes consideradas boas praticas que poderão contribuir para uma melhor qualidade de vida. Todas estasindicações são meramente informativas e muito direccionadas para a habitação, mas decerteza de que nas suas actividades diárias poderá encontrar novas formas de reduzir oconsumo desse bem precioso.Seguidamente vamos apresentar algumas formas de poupar água facilmente em sua casa.
Sanita - A sanita é responsável por 36% do consumo doméstico de água, embora este valor possa variar muito de estudo para estudo. Os sistemas tradicionais de autoclismo tem uma capacidade entre 7 e 15 litros por descarga, no entanto existem hoje sistemas mais eficazes, que permitem dois tipos de descarga de 6 ou 3 litros, uma vez que está provado que 70% das utilizações necessitam apenas de uma descarga de 3 litros. Com esta medida estaríamos a poupar 28000 lts/ano/habitação. Não deve atirar lixo para a sanita evitando assim descargas desnecessárias. Uma outra possibilidade é a colocação de uma garrafa de água cheia no interior do reservatório, diminuindo assim o volume de descarga, embora esta estratégia só se revele eficaz caso não seja necessária uma descarga dupla.
Banho Prefira sempre o duche ao banho de imersão, fechando sempre a torneira ou usando um sistema de bloqueio de fluxo, quando se ensaboa. Um chuveiro tradicional tem um caudal de 13 litros por minuto, se for trocado por um chuveiro com um fluxo de 7 litros para uma família de 3 pessoas pouparia por ano 150 000 litro de água/ano. Se essa troca custar 15 em menos de 1 ano ficaria amortizada, já para não falar no enorme beneficio ambiental.
Torneiras - Opte por torneiras com sistemas de redução de fluxos, que misturam a água com ar permitindo uma poupança de 50%. Uma torneira a pingar pode chegar aos 4 litros hora. A troca das torneiras clássicas com caudal médio de seis litros por minuto por modelos de menor caudal (quatro litros) permite poupar 86 mil litros por ano.
Louça - As lavagens de louça deverão ser feitas na maquina, sempre com a carga completa, a lavagem manual implica normalmente um maior consumo. Neste aspecto é também importante avaliar a eficiência da maquina, não só no respeitante ao consumo de água como também no que diz respeito á classe energética. Alguns sistemas recentes que trituram os restos de comida na banca são desaconselhados pois misturam os detritos orgânicos que devem ir para compostagem com a água, dificultado assim o seu tratamento e aumentando o fluxo de água desperdiçada.
Tubagens - Detectar e reparar as fugas, que pode ser uma torneira que pinga ou uma sanita que deixa escorrer. O correcto isolamento das tubagens de água quente, e a distancia á qual está colocado o sistema de aquecimento é fundamental já que permite que a pessoa tenha de esperar menos tempo com a água a correr pela água quente.
Cisternas - Em alguns casos pode-se equacionar a possibilidade de criar cisternas de água que permitam armazenar águas das chuvas para rega, lavagens exteriores, e mesmo para accionar o autoclismo.
Jardins No caso de ter um jardim em casa, opte por plantas autóctones, que como estão adaptadas ao clima necessitam de menos rega e manutenção. Utilize coberturas de solo com inertes como a casca de pinheiro, que retêm a água, permitindo gradualmente a sua absorção pela terra. Evite as monoculturas, selecionando cuidadosamente as espécies a plantar. Os relvados são especialmente indicados para o clima do norte da Europa, em Portugal temos de ter muito cuidado na sua aplicação, pois geralmente implicam grandes custos de manutenção, regas, cortes e fertilizantes.
Outros sistemas São já correntes em alguns países da Europa do Norte (em Portugal está a ser construído um edifício com um sistema idêntico) sistemas que canalizam as águas cinzentas (banheira/lavatório/bidé) através de um filtro para um grande lago, onde através da acção de plantas macrófitas e do sol, é purificada. Quando é necessária passa por um filtro UV e é bombada para o sistema de rega, para lavagens exteriores e para os reservatórios das sanitas. Esta fórmula permite segundo os promotores poupanças na ordem dos 50%.Ao mesmo tempo que sentimos a consciência mais limpa teremos também uma agradável surpresa ao receber as facturas da água, pois segundo um estudo da Deco uma família Portuense com uma factura anual de 200 , pode passar a pagar apenas 50 /ano, usando algumas destas nossas sugestões. Contribua para o seu futuro bem estar.
Francisco Saraiva, Arquitecto www.neourb.com
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