Terça-feira, Março 31, 2009

Al encontro de la semente

A par das nossas preocupações relativamente á arquitectura ecológica e sustentável, estamos também sincronizados com crescentes preocupações relativas á perda de biodiversidade.

No seguimento dessa linha de pensamento estivemos em Sendim no encontro da semente 2008.
neste encontro tivemos a oportunidade de contactar com uma realidade preocupante que é a perda de biodiversidade das espécies agrícolas. Por via da massificação da agricultura, muitas das espécies vegetais agrícolas estão-se a perder para sempre.


Algumas variedades de plantas usadas e aperfeiçoadas durante milhares de anos por gerações de pequenos agricultores, estão simplesmente a deixar de ser usadas. 
Deixando de ser semeadas vão desaparecer para sempre. Muitas destas espécies estavam já perfeitamente adaptadas ao clima e micro climas das regiões de onde são provenientes. O facto delas desaparecerem é uma catástrofe não só para as espécies, cujas variedades ficam reduzidas, mas também para todo o eco sistema que elas sustentam. Inclusivamente o ser humano perde para sempre a possibilidade de experimentar sabores de plantas regionais.

Neste sentido alguns entusiastas nacionais tem feito um esforço que considero heróico no sentido de preservar estas variedades.
A única forma de preservar as espécies regionais é semeá-las, colher os seus frutos e separar as suas sementes para futuras utilizações. Só assim é possível preservar este inestimável valor genético.

Publicado por Francisco Saraiva em 19:52:51 | Permalink | Sem Comentários »

Domingo, Agosto 17, 2008

1ºas Jornadas transfonteiriças de bioconstrução e arquitectura tradicional em Trás os Montes

De 28 a 30 de Abril 2005, estivemos presentes nas “1as Jornadas transfonteiriças de bioconstrução e arquitectura tradicional em Trás os Montes”. Seminário organizado pela plataforma cultural transfronteiriça – Adidodec, Aldeia, Associartecine e Palombar – procurou fazer o encontro entre os arquitectos da cidade e da aldeia, entre a arquitectura da “escola” e a arquitectura popular, partilhando modos de fazer e experiências, dentro de um ambiente informal e de saudável convivência. Tendo como pano de fundo uma região de Portugal – Miranda do Douro – que ainda conserva alguns valores da ruralidade e da pacifica convivência do homem com a natureza, marcada pelo rio Douro, pelas suas escarpas que fazem fronteira com a vizinha Espanha e assinalam de uma forma indelével, a força da natureza numa zona do pais onde ainda é possível viver o ritmo da natureza no seu estado mais puro. A participação neste seminário vem mais uma vez acentuar a importância de repensar a forma como nos relacionamos com o ambiente natural, sabendo que a postura que escolhermos vai ditar o futuro que reservamos para os nossos filhos. A relação entre a construção tradicional e a construção ecológica é mui to próxima, ambas procuram as melhores soluções com o menor desperdício de materiais e energia. Neste capitulo são muitas as lições que ainda temos de reaprender com os nossos antepassados. Os antigos sistemas de construção utilizavam materiais de fontes renováveis e que provinham das proximidades do local de construção, as tecnologias aplicadas eram simples e eficazes, muito contextualizadas com a realidade e o clima local, premissas da chamada bioarquitectura, uma arquitectura mais “amiga” das pessoas e do ambiente que tem vindo a ganhar adeptos.Tendo como ponto de partida a divulgação, experiência prática e o debate, este seminário reuniu participantes e oradores, dos dois lados da fronteira, representando áreas aparentemente distintas como; arquitectos, antropólogos, biólogos, agrónomos, entre outros; o que possibilitou a discussão e a partilha, de conhecimentos e experiências extremamente interessante.Durante os três dias em que decorreu este seminário, pudemos observar diversas casas tradicionais, cuja forma e técnicas construtivas se adequavam perfeitamente ao meio em que se inserem; utilizando materiais da região e adoptando uma forma perfeitamente adequada á função que desempenham. Numa visita á casa da Sra. Avelina e do Sr. Vítor Rodrigues, – onde provamos uns fantásticos bolos tradicionais muito bem acompanhados pelo vinho da região -, percebe-se como todos os espaços da casa estavam perfeitamente dimensionados para as funções que desempenhavam. Estas casas destacam-se pelo pátio interior que é o seu epicentro. Os grandes portões voltados para a rua permitiam um fácil acesso aos carros de bois, carregados de feno e produtos agrícolas. Nestas casas o fim do dia era passado a organizar pelas diversas divisões tudo o que chegava pela porta principal sendo o pátio o local que distribuía as funções pelo resto da casa. A casa tinha dois pisos, o rés-do-chão era onde se localizava a cozinha, as divisões afectas ás alfaias agrícolas, os locais de armazenamento e espaços para os animais. Ao nível do primeiro piso localizavam-se os quartos, sempre pontuados com uma varanda voltada para o pátio interior. Este conjunto resultava em edifícios com uma área coberta considerável.Estas construções de carácter rural são constituídas por largas paredes de pedra granítica da região, aparelhadas segundo técnicas ancestrais. Numa demonstração feita por Eduardo Paulo, um antigo pedreiro, foi possível entender como se escolhem e colocam as pedras na construção de uma parede – o principal segredo deste tipo de construção -. As pedras são ligadas com argamassas naturais, – uma mistura de terra e palha -, formando muros de grande solidez.Numa outra visita tivemos a oportunidade de observar um forno de telhas, recentemente recuperado, onde o Sr José Xisto trabalhou muitos anos. Com recurso a três instrumentos rudimentares ele conformava uma telha de cerâmica, que depois era colocada ao alto, no interior do forno. O forno é uma construção em pedra com um formato quase cubico, mas cujo topo está aberto, por baixo existe um espaço onde se coloca a lenha, e acende a fogueira. Quando o forno ficava cheio de telhas, era coberto e acendia-se a fogueira, que tinha de ser mantida por cerca de dois dias. Estas telhas de cerâmica produzidas manualmente tem uma resistência superior ás fabricadas actualmente com recurso ás novas tecnologias.
Para quem quiser visitar aqui fica o roteiro  – Cidade de Miranda do Douro – Aldeias de:
Freixiosa – Atenor – Castelo de Algoso – Sendim – Ifanes – Minas de Sto. Adrião – Barrocal.


Princípios fundamentais da Bioconstrução
- Os edifícios para habitação deverão ser construídos em zonas, não poluídas por industrias ou tráfego viário.
-  Devem ter como vizinhança amplas zonas verdes.
- Os materiais de construção terão que ser naturais e não tóxicos, deverão também ser escolhidos de forma a terem um longo tempo de vida e baixa manutenção. Durante a sua manufactura deverão provocar o mínimo de impactos negativos sobre o ambiente, nem devem explorar recursos limitados ou em perigo de extinção.
- Os edifícios deverão ser construídos de forma a captarem a energia solar de forma eficaz e na medida correcta, deverão também possuir inércia térmica de forma a minimizarem o uso de sistemas de climatização artificial.
- A ventilação é fundamental para a qualidade do ar interior.
- A iluminação natural deve ser uma das prioridades do desenho do edifício.
- Deverão neutralizar-se os ruídos e campos magnéticos artificiais.
- A água é um recurso vital e escasso, deverá ser uma das preocupações do projecto e da manutenção dos edifícios.

Publicado por Francisco Saraiva em 19:44:31 | Permalink | Sem Comentários »

O sindroma dos edificios doentes

Como a qualidade do ar que respiramos, no interior dos edifícios, afecta o bem-estar e a produtividade no nosso dia a dia de uma forma invisível.Polémicas recentes, vieram, mais uma vez alertar-nos para o grave problema da qualidade do ar, no interior dos edifícios. A permanência a que estamos votados no interior dos edifícios (principalmente no sector dos serviços) por períodos, nunca inferiores a  7 horas diárias, faz com que se inalem grandes quantidades de substâncias nocivas, químicas e biológicas, com as mais variadas origens. Essas substâncias são responsáveis por alergias e doenças com diversos graus de gravidade, desde o simples desconforto, provocado por uma ligeira irritação dos olhos ou das narinas, a perturbações mais graves, como a contaminação pela bactéria: Legionella pneumophila, que pode ser mortal. O conceito de “edifício doente” surgiu após  a crise energética no início dos anos 70. Como forma de manter a temperatura climatizada no interior de um edifício, reduzindo os custos; optou-se pela redução dos fluxos de admissão de ar fresco. Essa re-circulação do ar demonstrou provocar um certo “mal estar” aos funcionários. Estando o ar já viciado; tanto pela respiração dos ocupantes, (o ser humano liberta naturalmente dióxido de carbono), como pelo fumo do tabaco, totalizam-se cerca de 4000 compostos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde os sintomas provocados pelo síndroma do “edifício doente” nos seus ocupantes são: irritação, secura e prurido nos olhos; dores de cabeça e tonturas; irritação, prurido e eritemas na pele; garganta seca, rouquidão e tosse.
Geralmente estes sintomas, têm tendência a manifestar-se, durante o dia, sendo minimizados ao final do dia, ou ao fim-de-semana.As construções recentes, são bastante isoladas face ao exterior, e recorre-se frequentemente a sistemas de ar condicionado, para a climatização e ventilação do ambiente interior, para que se mantenha a mesma temperatura durante todo o ano.
Esses sistemas, projectados tendo em vista o conforto dos ocupantes de um edifício, são muitas vezes responsáveis pela própria contaminação do ar, bastando para isso um mau planeamento do sistema, ou falhas na sua manutenção.Os filtros e condutas “estudados” para impedir a entrada de insectos e poeiras para o interior, começam por possuir as condições de temperatura e humidade ideal para a proliferação de bactérias e fungos, caso não sejam frequentemente limpos ou substituídos.Embora a ventilação inadequada seja a grande responsável pela má qualidade do ar que circula no interior, existem também outros tipos de poluentes nos diversos materiais que compõem o interior do próprio  edifício. Nos ‹ltimos anos, foram executadas operações extremamente delicadas em vários edifícios, com a intenção de reti rar antigos revestimentos compostos por amianto, substância conhecida por ser altamente cancerígena.
As alcatifas, já conhecidas por serem um foco de propagação de ácaros (responsáveis pelas alergias), demonstraram também agora a sua capacidade em absorver os agentes tóxicos dos produtos de limpeza, libertando-os depois, durante meses.
As fotocopiadoras e impressoras com sistema “laser”, são um outro elemento de poluição invisível. Libertam ozono, em quantidades, (em milhares de vezes) superiores, ás libertadas pelos automóveis.
Colas, pinturas frescas, produtos de madeira prensada, são também, geradores de gases e vapores que penetram facilmente nos nossos pulmões.
Segundo alguns especialistas, a melhor forma de resolver estes problemas passa, por ventilar frequentemente estes espaços, “diluindo” assim, as substâncias nocivas.O alerta mais pertinente, vai no sentido da necessidade de consciencializar as pessoas,
para o seu desconhecimento sobre as verdadeiras fontes de poluição, associadas a este síndroma. Muitas vezes a razão vai contra a nossa intuição ou senso comum.

Francisco Saraiva arq. www.neourb.com

Publicado por Francisco Saraiva em 19:41:13 | Permalink | Sem Comentários »

E porque não em terra?

A construção em terra utilizada desde sempre pelas sociedades humanas começa finalmente a ressurgir no mundo ocidental.
A construção em terra é utilizada em todo o planeta e pelas mais diversas civilizações humanas.
As propriedades únicas deste material e a sua disponibilidade gratuita permite essa grande disseminação. Quando falamos deste tema, relacionamos directamente este material com a pobreza, países do terceiro mundo e condições insalubres de vida das populações. Isto porque a sociedade ocidental se habituou a ver a terra como um elemento sujo e com bactérias. O grande desenvolvimento tecnológico, económico e social ocorrido nos dois últimos séculos fez com que se esquecessem técnicas tradicionais com milhares de anos de história, provadas pela sua eficiência e economia. Felizmente que a construção em terra crua tem vindo a ser “repescada” por alguns técnicos, por se tratar de uma solução ecologicamente mais correcta,
do que as técnicas que usamos actualmente.
A grave situação ambiental que vivemos na actualidade obriga á procura de novas soluções que permitam manter os padrões de qualidade de vida a que estamos habituados, mas que permitam que também os nossos filhos venham a ter pelos menos essa qualidade de vida.É bom que fique claro que essa possibilidade está longe de estar garantida. Um estudo recente de uma universidade Inglesa mostrou que com uma perspectiva optimista da subida da temperatura -provocada pelo efeito de estufa -, até 2050, cerca de 1/4 de todas as espécies animais e vegetais se iriam extinguir. Como sabemos das aulas do ciclo preparatório
nesta grande nave espacial que é o planeta Terra existem ciclos biológicos que dependem de uma interacção sequenciada de diversos seres, quando alguns dos elos desaparecem começam os desequilíbrios. Como a sobrevivência humana depende de recursos oferecidos pelo planeta, como o ar a água e os alimentos, era talvez altura de todos nós reflectirmos naquilo em que podemos contribuir para melhorar o estado da situação.Não defendo utopias de retorno ás cavernas, ou a pseudo-aldeias ecológicas, mas acredito no desenvolvimento de uma nova consciência colectiva, que procure minimizar ao máximo os impactos negativos da presença humana na biosfera.
Historicamente falando a terra era já utilizada no antigo Egipto, onde praticamente toda a  construção civil era feita de –adobe – tijolos de terra cozidos ao sol, apenas os edifícios mais importantes eram construídos em pedra. Cerca de 20% da muralha da China é construída em terra, e no Médio Oriente e frica continua a ser um sistema muito utilizado.
No nosso país existem também inúmeros exemplares, que chegam até hoje, testemunhandofacto de que é possível construir edifícios de terra com grande durabilidade.Hoje começamos a reaprender a utilizar este material fantástico, pela mão de diversas pessoas interessadas no tema e que tem vindo a pesquisar as vantagens da utilização da terra paraconstrução. Um dos principais argumentos para a adopção deste material é a sua baixa energia incorporada, ou seja os baixos níveis de energia despendida para manufacturar e transportar material, uma vez que a produção pode ser descentralizada usando sistemas de baix
tecnologia. Além disso a sua extracção praticamente não provoca danos ambientais, porque terra que precisamos de extrair situa-se por debaixo das camadas de terra vegetal. Essa terra depois misturada com pequenas quantidades de cimento ou outros ligantes que lhe dão um grande estabilidade e resistência ás condições atmosféricas. A utilização na construção trás
também inúmeras vantagens, como por exemplo a inércia térmica, ou seja a capacidade de absorver o calor, mantendo uma temperatura uniforme ao longo do dia , permitindo soluções bioclimáticas compatíveis com o nosso clima, tornando as nossas casas mais confortáveis.
portanto um material que além de vantajoso sob o ponto de vista ambiental, é também interessante na performance e no preço. Existem diversos sistemas construtivos associadoseste material, como por exemplo o adobe – tijolo de terra – a taipa – ripas de madeira preenchidas com argamassas naturais – entre outros, cobrindo uma grande variedade de utilizações. Só não é mais utilizado porque não tem sido divulgado e na sua preparação aplicação, não promove grandes explorações económicas, e como tal não tem grupos de interesse com capacidade para promoverem e divulgarem este sistema construtivo. Esperemos que pouco a pouco este cenário seja alterado para o bem de todos nós.

Na internet
www.Centrodaterra.pt
Francisco Saraiva arq. www.neourb.com

Publicado por Francisco Saraiva em 19:38:04 | Permalink | Sem Comentários »

Energia solar em sua casa

Com o lançamento da campanha agua quente solar, torna-se mais uma vez notória a importância das energias renováveis no nosso dia a dia. Com vista a cumprir as metas estabelecidas no protocolo de Kioto (*) em relação ás emissões de poluentes para a atmosfera, foi recentemente lançada a campanha agua quente solar para Portugal. Esta campanha destina-se a incentivar o uso de painéis solares activos, que são uma das formas mais económicas de aproveitamento da energia solar. Esta tecnologia é já bastante conhecida em Portugal, quase todos os painéis solares que vemos instalados em habitações são deste tipo. Foi uma tecnologia bastante aplicada, mas que foi perdendo força porque muitas vezes as instalações eram mal concebidas, e o sistema não funcionava correctamente. Actualmente tenta-se mudar este cenário através da formação especializada dos instaladores, certificação do material e das empresas.
Este processo de credibilização da tecnologia solar é acompanhado por uma obrigatoriedade de garantia do equipamento e da instalação de pelo menos 6 anos, permitindo a amortização dos custos da instalação. Estes são aliás o principal obstáculo para a implantação no mercado  desta tecnologia, uma vez que obrigam a um investimento inicial superior a outros sistemas. Nesse sentido estão a ser promovidos benefícios fiscais para quem implemente este tipo de  soluções, que podem chegar aos 30 % até ao máximo de 700 €, permitindo um prazo de amortização inferior. Ainda neste capitulo temos indicação de que estará a ser estudada a possibilidade de financiamentos específicos para estas instalações.
Este programa reveste-se da maior importância para o nosso pais, em primeiro lugar porque permite a redução da nossa dependência externa de energia, por outro lado promove a qualidade de vida, permitindo uma redução de muitas toneladas de CO2 na nossa atmosfera. Para o utilizador final é também vantajoso porque lhe permite reduzir os custos associados ao aquecimento de aguas sanitárias, que corresponde, a uma fatia considerável nos custos energéticos de um edifício. Portugal é um pais privilegiado em relação á disponibilidade de radiação solar, e no entanto a taxa de penetração deste tipo de energias renováveis é bastante baixa quando comparada com outros países com disponibilidades solares muito inferiores.Por exemplo em Portugal de 1975 ate 1999 foram instalados cerca de 219.000 m2 de painéis, no mesmo tempo na Alemanha foram instalados 2.290.000 m2.Existem variados sistemas solares activos, sendo cada um deles mais adaptado a cada situação particular, uma vez que tem rendimentos diferentes.Os painéis mais comuns para habitação são planos com ou sem cobertura, mais recentemente tem
sido promovido o sistema CPC Šconcentrador parabólico Š que concentra a energia nos tubos onde passa o liquido, aumentando o rendimento do painel. O aproveitamento para um sistema bem dimensionado em Portugal fornecerá cerca de 60% 70% das necessidades energéticas anuais de aquecimento de água. O sistema deverá contar com um deposito de forma a manter a temperatura da agua, devido ao desfasamento da hora do aquecimento e de consumo. Deverá  também estar munido de um sistema de apoio energético pois, em determinadas alturas do ano, a radiação disponível não  é suficiente para suprir as necessidades energéticas de aquecimento. Poderá ser um termoacumulador eléctrico ou um esquentador, desde que compatível com o sistema solar.

contactos
www.aguaquentesolar.com Sitio da campanha
www.spes.pt Sociedade Portuguesa de energia solar
www.energiasrenovaveis.com Portal de energias renováveis
(*)O protocolo de Kioto foi assinado pelo nosso país e é um instrumento legal que estabelece os 
limites  de poluentes  libertados por cada pais para a atmosfera.
Francisco Saraiva arq.
www.neourb.com

Publicado por Francisco Saraiva em 19:34:09 | Permalink | Sem Comentários »

Arquitectura sustentável

republicação de texto de 2005

A arquitectura dita sustentável tem como objectivo maximizar o conforto humano minimizando o impacto ambiental.
Numa sociedade desenvolvida uma pessoa despende  cerca de 70% do tempo no interior de edifícios, que necessitam de ser iluminados, aquecidos e arrefecidos para o conforto dos seus utilizadores. Para este efeito geralmente são utilizados dispositivos eléctricos,  que consomem energia proveniente em 80% da combustão de derivados do petróleo. Assim embora não seja visível, os edifícios são responsáveis, por uma grande quantidade de emissões de CO2. Existem diversas formas de tornar mais eficiente sob o ponto de vista energético um edifício, e como tal reduzir os custos associados á manutenção, que por vezes chegam a ser 10 vezes o custo de construção. O correcto isolamento térmico dos edifícios é fundamental pois aquecer uma casa sem isolamento é como tentar encher de água um balde furado, a energia despendida para aquecer, vai ser perdida através das paredes e vidros para a atmosfera dessa forma a utilização de vidros duplos, e isolamento térmico, quando bem aplicados são medidas que promovem a qualidade de vida assim como reduzem os custos energéticos.  Em climas mediterrâneos com é o nosso em que temos uma grande disponibi lidade de radiação solar, é importante incorporar sistemas que tiram partido dessa enorme fonte de energia que é o sol. A forma mais básica de aproveitar a energia solar é a implantação do edifício, se este aspecto for cuidado na fase projectual é possível prever a radiação que ira incidir em cada uma das fachadas, podendo dessa forma localizar as divisões da casa cujas necessidades térmicas se adcuem. Dessa forma é também possível prever a frequência e dimensão dos vãos, e formas de os proteger através da plantação de arvores de folha caduca, construção de palas de ensombramento, ou estores exteriores.
As aberturas voltadas para sul permitem que a radiação solar entre profundamente na casa durante o Inverno aquecendo-a  – o sol tem uma inclinação inferior   No Verão o azimute solar aproxima-se do zénite permitindo que as palas de sombreamento possam afastar o calor do interior.
Dentro destas técnicas de aproveitamento solar passivo ainda se pode mencionar a parede de trombe, uma parede pintada de uma cor escura, com um vidro no exterior como se fosse uma comum janela. O efeito produzido é equivalente a um radiador depois de exposta ao sol, o calor vai penetrando na espessura da parede, libertando-o no interior da casa horas depois. Além destes exemplos enunciados existem também sistemas comercializados de aquecimento de água que recorrem á instalação de painéis na cobertura do edifício, que por meio de um circuito fechado de um liquido anticongelante, permitem transformar a radiação solar em calor. Como sistemas activos temos os painéis fotovoltaicos que produzem energia eléctrica, são ainda pouco utilizados por questões económicas, mas tem-se revelado muito interessantes, em locais onde a rede eléctrica ainda não chega.
Gostaríamos assim de chamar atenção para o potencial da energia solar uma vez que se calcula que a cada 8 dias recebemos do sol a energia equivalente a todas as reservas de energias fosseis presentes no nosso planeta, factos como este obrigam a que os técnicos ligados ao sector da construção passem a ter uma nova consciência do impacto que provocam com pequenas opções de projecto.  Mas o tema da arquitectura sustentável não se esgota com a procura de soluções de poupança de energia, existem muitas outras situações em que é possível optimizar, como por exemplo a toxicidade dos materiais, a poupança de água, a utilização de plantas autóctones, a energia incorporada, e o uso de materiais reciclados ou recicláveis, temas que desenvolveremos em futuras edições.

Publicado por Francisco Saraiva em 19:31:40 | Permalink | Sem Comentários »

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Água nos edificios


O documento que publicamos seguidamente no blog, é um artigo escrito especialmente para a revista do Parque Biológico de Gaia, que foi publicado á quase dois anos.

Pela sua actualidade decidimos voltar a divulgar este texto que explica a importância dos nossos pequenos actos do quotidiano, na qualidade de vida dos nossos descendentes…

A Água nos edifícios

“A falta de acesso à água provoca enormes dificuldades a mais de mil milhões de membros da família humana”. São palavras de Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU. Se o actual consumo se mantiver, em 2025, duas em cada três pessoas irão ser vítimas da falta de água.

O aumento exponencial da população mundial, o aquecimento global e a poluição são dos mais graves problemas que a civilização humana já enfrentou. Estas questões cruzam-se no tema da água, que como sabemos é indispensável à vida, e cuja distribuição está longe de ser igualitária. Especialistas militares já falam que as guerras do futuro se centrarão em volta do controle sobre as reservas de água. Afirmações como esta poderão até parecer estranhas, mas se tomarmos consciência de que uma descarga de autoclismo num país ocidental equivale a toda a água disponível durante um dia para a higiene e restantes actividades de um habitante de um pais subdesenvolvido, começa a fazer algum sentido. Todos sabemos o impacto que tem em nossas casas quando ao abrir uma torneira só ouvimos soluços, e vale a pena pensar o que aconteceria caso esses soluços fossem permanentes…

Segundo um estudo apresentado por diversas entidades, no dia Mundial da Desertificação

“dois terços do Território Nacional tem um risco moderado de se transformar numa espécie de deserto”. As razoes que levam a esta situação são inúmeras destacando-se a não retenção das águas da chuva pelos solos empobrecidos, e progressivo abandono da agricultura provocado pelo despovoamento do interior do País. Se a isto associarmos os efeitos da poluição nos aquíferos, destruindo ecossistemas responsáveis pela regeneração da água, deparamo-nos com um cenário muito preocupante. É por isso altura para pôr em prática medidas que permitam uma gestão mais equilibrada destes recursos permitindo uma maior equidade na sua distribuição e deixando para as gerações futuras uma situação se não melhor pelos menos igual à que encontramos quando viemos ao mundo. É bom que se entenda que todos nós temos responsabilidades e seja qual for a área profissional, podemos melhorar a situação geral actuando localmente, nas nossas casas no nossos empregos, e porque não também nas nossas cidades. Devemos adoptar medidas que promovam a sustentabilidade no nosso dia a dia e exigir ao governo a sua cota de responsabilidade. Depois desta breve introdução ao tema apresentamos um conjunto de atitudes consideradas boas praticas que poderão contribuir para uma melhor qualidade de vida. Todas estasindicações são meramente informativas e muito direccionadas para a habitação, mas decerteza de que nas suas actividades diárias poderá encontrar novas formas de reduzir oconsumo desse bem precioso.Seguidamente vamos apresentar algumas formas de poupar água facilmente em sua casa.

Sanita - A sanita é responsável por 36% do consumo doméstico de água, embora este valor possa variar muito de estudo para estudo. Os sistemas tradicionais de autoclismo tem uma capacidade entre 7 e 15 litros por descarga, no entanto existem hoje sistemas mais eficazes, que permitem dois tipos de descarga de 6 ou 3 litros, uma vez que está provado que 70% das utilizações necessitam apenas de uma descarga de 3 litros. Com esta medida estaríamos a poupar 28000 lts/ano/habitação. Não deve atirar lixo para a sanita evitando assim descargas desnecessárias. Uma outra possibilidade é a colocação de uma garrafa de água cheia no interior do reservatório, diminuindo assim o volume de descarga, embora esta estratégia só se revele eficaz caso não seja necessária uma descarga dupla.

Banho – Prefira sempre o duche ao banho de imersão, fechando sempre a torneira ou usando um sistema de bloqueio de fluxo, quando se ensaboa. Um chuveiro tradicional tem um caudal de 13 litros por minuto, se for trocado por um chuveiro com um fluxo de 7 litros para uma família de 3 pessoas pouparia por ano 150 000 litro de água/ano. Se essa troca custar 15 € em menos de 1 ano ficaria amortizada, já para não falar no enorme beneficio ambiental.

Torneiras - Opte por torneiras com sistemas de redução de fluxos, que misturam a água com ar permitindo uma poupança de 50%. Uma torneira a pingar pode chegar aos 4 litros hora. A troca das torneiras clássicas com caudal médio de seis litros por minuto por modelos de menor caudal (quatro litros) permite poupar 86 mil litros por ano.

Louça - As lavagens de louça deverão ser feitas na maquina, sempre com a carga completa, a lavagem manual implica normalmente um maior consumo. Neste aspecto é também importante avaliar a eficiência da maquina, não só no respeitante ao consumo de água como também no que diz respeito á classe energética. Alguns sistemas recentes que trituram os restos de comida na banca são desaconselhados pois misturam os detritos orgânicos que devem ir para compostagem com a água, dificultado assim o seu tratamento e aumentando o fluxo de água desperdiçada.

Tubagens - Detectar e reparar as fugas, que pode ser uma torneira que pinga ou uma sanita que deixa escorrer. O correcto isolamento das tubagens de água quente, e a distancia á qual está colocado o sistema de aquecimento é fundamental já que permite que a pessoa tenha de esperar menos tempo com a água a correr pela água quente.

Cisternas - Em alguns casos pode-se equacionar a possibilidade de criar cisternas de água que permitam armazenar águas das chuvas para rega, lavagens exteriores, e mesmo para accionar o autoclismo.

Jardins – No caso de ter um jardim em casa, opte por plantas autóctones, que como estão adaptadas ao clima necessitam de menos rega e manutenção. Utilize coberturas de solo com inertes como a casca de pinheiro, que retêm a água, permitindo gradualmente a sua absorção pela terra. Evite as monoculturas, selecionando cuidadosamente as espécies a plantar. Os relvados são especialmente indicados para o clima do norte da Europa, em Portugal temos de ter muito cuidado na sua aplicação, pois geralmente implicam grandes custos de manutenção, regas, cortes e fertilizantes.

Outros sistemas – São já correntes em alguns países da Europa do Norte (em Portugal está a ser construído um edifício com um sistema idêntico) sistemas que canalizam as águas cinzentas (banheira/lavatório/bidé) através de um filtro para um grande lago, onde através da acção de plantas macrófitas e do sol, é purificada. Quando é necessária passa por um filtro UV e é bombada para o sistema de rega, para lavagens exteriores e para os reservatórios das sanitas. Esta fórmula permite segundo os promotores poupanças na ordem dos 50%.Ao mesmo tempo que sentimos a consciência mais limpa teremos também uma agradável surpresa ao receber as facturas da água, pois segundo um estudo da Deco uma família Portuense com uma factura anual de 200 €, pode passar a pagar apenas 50 €/ano, usando algumas destas nossas sugestões. Contribua para o seu futuro bem estar.

Francisco Saraiva, Arquitecto www.neourb.com

p.f. comente este artigo.

Publicado por Francisco Saraiva em 23:29:02 | Permalink | Comentários (1) »

Quarta-feira, Abril 20, 2005

bemvindo


Bem vindo ao blog da neourb, uma equipa de arquitectos ligados á arquitectura sustentável, que procuram desenvolver tecnicas de construção mais amigas das pessoas e do ambiente.

Procuramos criar arquitecturas inovadoras, que respeitem os orçamentos previstos e que permitam uma evolução favoravel do investimento dos nossos clientes, tirando partido de energias renoveis e conceitos inteligentes que melhoram a qualidade de vida interior dos edificios que projectamos.

Este espaço será um complemento do nosso website, onde poderemos recolher opiniões e apresentar as nossas ideias e projectos conceitos. 

Publicado por Francisco Saraiva em 00:31:54 | Permalink | Sem Comentários »